MACGaleria, o que é?

Em MACGaleria, são publicados periodicamente dados informativos que procuram servir como complemento da actividade expositiva exercida por esta instituição. Navegando pelos diversos posts, o utilizador poderá encontrar informação relativa aos últimos onze anos de acção museológica desenvolvida pelo MAC junto da comunidade.

domingo, 16 de maio de 2010

Basta que Sim ! - Ângela Costa




Integrada no programa do Dia Internacional dos Museus, o Museu de Arte Contemporânea do Funchal inaugura, no próximo dia 18 de Maio pelas 18h00, a exposição de Ângela Costa, Basta que Sim!, constituída por gravura e instalação, num registo que se prende com o universo pessoal da autora, naturalmente projecção das suas memórias e vivências agora revisitadas.
A Professora Doutora Isabel Santa Clara, autora do texto que figurará na brochura a ser distribuída durante a mostra, diz-nos:
«Basta que Sim! é uma fórmula de tradução impossível, exclusiva da Madeira, que exprime a estranheza provocada por uma notícia, ou um acontecimento. É como dizer «tá vendo!» ou «não me digas!», e dizê-lo é criar um tempo de suspensão entre o ouvir e o reagir. Uma exposição que se coloca sob a égide de uma expressão deste teor, transporta-nos, à partida, para o âmbito da coloquialidade e de um assumido enraizamento local. Da proximidade, portanto, com a terra e com as suas gentes.
Ângela Costa, nascida no Funchal, é licenciada pela Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde foi aluna de gravura dos professores Teixeira Lopes e Matilde Marçal, tem exposto desde 1978 em Portugal e no estrangeiro, representada em colecções particulares e públicas, tem vindo a desenvolver os seus projectos artísticos na área dos audio visuais e em técnicas de gravura, com destaque para as águas-tintas.
Esta exposição poderá ser visitada até ao próximo dia 19 de Junho, sendo que os Serviços Educativos do MAC farão visitas guiadas por marcação, as quais serão acompanhadas pela autora da mostra que falará sobre o seu percurso artístico, explicando as várias técnicas de produção de gravuras.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Exposição Rotativa da Colecção do MACFunchal

Visando a continuidade da divulgação do seu espólio, o Museu de Arte Contemporânea do Funchal - Fortaleza de São Tiago apresenta uma exposição rotativa, num conjunto de quarenta obras, de escultura, pintura, desenho e fotografia, todas pertencentes ao acervo da instituição, algumas pouco vistas, procurando divulgar a riqueza e diversidade do seu acervo, constituído na sua totalidade por obras de artistas portugueses, onde se incluem também trabalhos de artistas locais.
De 28 de Janeiro a 14 de Maio ficarão expostas obras de Ana Vidigal, Pedro Proença, Lourdes Castro, Ana Haterly, José Manuel Gomes, José de Guimarães, entre outros autores.
Nesta mostra, encontra-se, também, patente ao público o trabalho de Joana Vasconcelos “ Brush me” a quem o Museu Berardo dedica uma grande exposição retrospectiva que poderá ser vista até 10 de Maio.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Arte Partilhada Millennium bcp - ( 17 de Novembro de 2009 a 17 de Janeiro de 2010)

O Museu de Arte Contemporânea do Funchal, apresenta ao público uma mostra de pintura portuguesa itenerante, da colecção Millennium bcp, a partir do próximo dia 17 de Novembro que contará com a presença de obras de: António Silva Porto, José Malhoa, José Júlio De Sousa Pinto, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Viana, Amadeo De Souza-Cardoso, Carlos Botelho, Dordio Gomes, José De Almada Negreiros, Maria Helena Vieira Da Silva, Joaquim Rodrigo, João Hogan, António Dacosta, Júlio Resende, Nadir Afonso, Mário Cesariny, António Charrua, Menez, Manuel Cargaleiro, Júlio Pomar, Carlos Calvet, Jorge Pinheiro, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, René Bertholo, Paula Rego, Ângelo De Sousa, Manuel Amado, Eduardo Nery, Álvaro Lapa, José De Guimarães, Jorge Martins, Luís Noronha Da Costa, Eduardo Batarda,Armanda Passos,Pedro Chorão,António Palolo,Graça Morais. Esta mostra poderá ser visitada até ao dia 17 de Janeiro do próximo ano.


O Grupo Millennium bcp dispõe de um património cultural considerável e diversificado, com especial incidência na pintura.Decidimos materializar esta ideia de, começando pela pintura, partilhar com outros públicos uma parte do nosso acervo, difundindo a arte em espaços variados e proporcionando assim a sua fruição por pessoas que de outro modo não teriam oportunidade de a ele aceder. Para tanto, iremos fazer circular pelos principais centros populacionais do País uma selecção de cerca de quatro dezenas de quadros de autores portugueses da nossa colecção e cuja produção se situa entre os anos 1884 e 1992.
Esta escolha contempla, para o período em referência, alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa e cobre em especial os designados movimentos naturalista, modernista e de arte contemporânea, embora com predomínio deste último. A responsabilidade do critério básico da selecção – uma obra por artista de acordo com as possibilidades da colecção e a relevância histórica e crítica dos autores possíveis cujo lugar de entrada é o da data de nascimento – é do Banco e em primeira e última análise minha que, nesta matéria, sou sobretudo um amador interessado.

Carlos Santos Ferreira
Presidente do Conselho de Administração Executivo
do Millennium bcp

UM SÉCULO DE PINTURA PORTUGUESA

A selecção extensiva que aqui se apresenta recordará a lógica das exposições colectivas que já não se fazem mas foram tão importantes no desenrolar da modernidade, tendo ainda outra vantagem: pôr à disposição dos públicos a grande aventura da pintura europeia desde meados dos século XIX, quando a estética naturalista exigiu aos artistas representar, não a beleza idealizada do classicismo, mas as gentes e as paisagens de um lugar e de um tempo concretos. Postos perante a natureza, os pintores viram-se confrontados com a variabilidade da realidade e a impossibilidade de a registarem mimeticamente, tendo em conta a diversidade dos momentos cromáticos e lumínicos, dos pontos de vista e dos enquadramentos. A grande aventura será então questionar ou destruir, nas telas, essa impossível realidade, contrapondo-lhe a estilização ou a depuração. Esse foi um caminho de múltiplos sentidos que conduziu à abstracção e, depois, a
uma infinidade de modos de fazer jogar a pintura não tanto com a realidade mas com as nossas ideias sobre ela que arrastam sonhos, pesadelos, plenas invenções oníricas ou a indagação sobre as estruturas geométricas de um mundo excessivamente vacilante. Há, nos pintores do século XX, qualquer que seja o movimento em que participam, o desejo que a pintura fale sobretudo de pintura e não tanto das coisas que a concretizam, à semelhança dos músicos que nos comunicam emoções e sentimentos, através dos recursos da própria música, tons, ritmos, interrupções,
retomas, rimas, altos, baixos.

Raquel Henriques da Silva
Professora de História de Arte



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Preâmbulo - ( 10 de Julho a 30 de Setembro de 2009)

O Museu de Arte Contemporânea do Funchal, inaugurou no passado dia 10 de Julho, a exposição Preâmbulo, evocativa da fundação da Academia de Música e Belas Artes da Madeira e de Homenagem aos seus antigos professores Mestres Pintor Arnaldo Louro de Almeida e Escultor Pedro Anjos Teixeira. Esta mostra, da qual será realizado um catálogo, patrocinado pela Câmara Municipal do Funchal, no qual se reunirá textos de Irene Lucília, Pintores Alice de Sousa e Jorge Marques da Silva e da própria comissão, biografias dos participantes, e reprodução das obras dos 40 intervenientes, alguns antigos discípulos, professores e colaboradores dos Mestres Pintor Louro de Almeida e do Escultor Anjos Teixeira (Ara Gouveia, Adriana Telmo, Alice de Sousa, Ana Manuela Oliveira, Ana Sousa, António Marques da Silva, António José Pinto, António Rodrigues, Benvinda Figueira da Silva, Dalila Camacho, Daniela Silva, Dina Pimenta, Élia Pimenta, Elisabete Nunes, Fernanda Pereira, Fernão Saúl do Carmo, Gilda Serrão, Irene Lucília, Isabel Natal, Jorge Marques da Silva, José Manuel Mota Pimenta, Luíza Clode, Luz Correia, Fátima Castanheta, Francisco Simões, Ilídia Gonçalves, Leonor Clode, Manuel Castannheta, Manuela Aranha, Maria Helena Leça Ferraz, Margarida Lemos Gomes, Ricardo Pinto, Ricardo Veloza, Sara Portugal, Fernando Lemos Gomes, Tomás Silva, Clementino Camacho, Teresa Brazão Câmara).
Poderão igualmente ser vistos trabalhos do Escultor Anjos Teixeira, que deixou importante obra de escultura pública na ilha da Madeira, e do Pintor Arnaldo Louro de Almeida, referenciando-se deste autor a obra Nazaré, quadro vencedor do Prémio José Malhoa.
Preâmbulo, reune trabalhos de escultura, pintura, desenho, gravura, fotografia e testemunhos biobliográficos, documentando, deste modo, toda a actividade e importância que teve a fundação desta instituição de ensino artístico para a cidade do Funchal.
A comissão organizadora afirma em texto introdutório: “ Não vejamos nesta mostra nem um rebate de saudosismo, nem uma pretensão de afirmar múltiplas personalidades, mas somente uma necessidade de referênciar factos com inserção histórica na vida de algumas gerações de madeirenses”.
Também Irene Lucília, evocando os Mestres Louro de Almeida e Anjos Teixeira registou: “ A estes professores se deve o que talvez justifique, pelo que, em cada um em particular, significou a passagem por esta Escola, o contacto com as disciplinas artísticas e o conhecimento que através delas terá determinado eventuais comportamentos em suas vidas”.
Esta exposição que se assume como testemunho, documento e lembrança de um tempo, pioneiro e profícuo do ensino das Artes Plásticas na Madeira, procura também, nunca é de mais recordar às novas gerações, a personalidade de dois dos seus antigos professores, Pintor Louro de Almeida e Escultor Anjos Teixeira, ambos tendo deixado pela sua competência pedagógica, profundidade da sua cultura, obra e carácter, marcas visíveis nos seus antigos discípulos e colegas e igualmente na vida cultural funchalense nos anos 60/70 do século passado.
Esta exposição poderá ser vista até ao dia 30 de Setembro, no horário habitual do Museu, podendo serem marcadas visitas guiadas através do Serviço Educativo do MAC.


Junho de 2009



José de Sainz-Trueva



Museu de Arte Contemporânea do Funchal

domingo, 23 de agosto de 2009

Andar Modelo - Filipa Venâncio (15 de Maio a 30 de Junho de 2009)

Filipa Venâncio manifesta, no seu largo currículo
artístico, uma insistente exploração da pintura cujo tema são os espaços interiores e os objectos que lá podem ser encontrados. Trata-se de uma pintura que não representa o ser humano, nem o corpo, nem a figura, mas que os refere constantemente através dos interiores solitários, porém vivenciados, de modo tácito, por pessoas. Quando a artista aproxima o olhar aos pequenos objectos do quotidiano, fá-lo de modo a potenciar referências históricas, pessoais e sociais, que remetem para o universo pop da dignificação do aparentemente banal, enquanto produto de massas. E potencia também essas referências através da recuperação simbólica de objectos e atitudes esquecidas, mas carregados de intensa significação poética.
Mais uma vez, operando uma síntese, Filipa usa de espaços e de objectos, e desconstrói a identidade da casa, nesta instalação «com pintura e tudo» (citando aqui a exposição de Isabel Santa Clara, na casa-Museu Frederico de Freitas, nos anos 90). A artista propõe um percurso pelo espaço que se (in)alterou com o tempo, e que de fortaleza passou a ser museu. Agora nem casa, nem apartamento, nem fortaleza, mas ainda museu ­– no que de museu há na atitude de arrumação dos objectos expostos, de modo a criar um ambiente semiótico conciso.
O diálogo entre a pintura, enquanto objecto pendurável que faz parte do espaço interior que se habita, e os móveis que se usam, é um diálogo circular, num confronto em espiral entre a representação e a realidade matérica (da pintura e dos objectos). Povoa-se o vazio das paredes e do chão com uma vibração cromática e volumétrica que pontua o espaço de um modo, dir-se-á, supenso. Seguindo caminhos já apontados em outras mostras, a artista joga aqui com a deslocação, com a interferência e com o acumular de memórias descontextualizadas q.b., criando uma estranheza formada de vários tons e nuances diversificadas, ao longo das «assoalhadas» vestidas de casa.
Neste contexto, a participação de Carlos Valente (eu) introduz o movimento e o tempo da imagem vídeo, a imagem do outro (que sou eu), a imagem de quem observa e prolonga o seu ponto de vista crítico – verbalmente concretizado nestas linhas – acerca da exposição, na exposição mesma. O vídeo acontece numa peça de mobiliário, um televisor de ecrã plano. Trata-se também de um equipamento que pertençe a essa mesma familia de objectos concebidos para ocupar espaços caseiros, e não só.
O design de interiores está «quase» presente graças à construção de pequenos apontamentos de ambiente. A colaboração da loja Intemporâneo, enquanto fornecedor activo no projecto, com a artista enquanto cliente real, permitiu a obtenção de ambientes que não recriam uma loja de mobílias e nem sequer uma casa, mas que se situam no limbo. Permanecem a meio caminho entre o espaço de exposição comercial de bens móveis, de mesas, cadeiras, tapetes e candeeiros e o espaço eternamente provisório que é o lar.
O choque é subtil, no confronto entre o novo e a tradição. Este «medir de forças» entre peças de mobiliário reflecte-se na pintura que, ironicamente, coloca em jogo diferentes «choques-subtis» de relação. O diálogo entre peças de diferentes procedências estilísticas e temporais, quer presentes quer representadas, faz-se com algum humor e com forte gosto retro, bem patente nas escolhas da artista e que, certamente, encontramos ao longo do seu percurso artístico.
Nas pinturas ninguém habita os espaços, a não ser mediante figuras contidas em objectos-imagem, como num televisor. Cada quadro lembra um estudo, uma hipótese de arrumação, ou talvez uma presença de outrora; uma ocupação perdida no imaginário de um tempo impossível de mapear, porque fictício. O deambular pelo(s) andar(es) sugere um modelo de habitação expandido, formado por habitáculos ora contíguos, ora interrompidos por zonas de ligação austeras e despojadas de intervenção.
Filipa Venâncio apropria-se da outrora-fortaleza-agora-museu e propõe-nos um olhar filtrado pelo enmascaramento dos objectos: criando funções inacabadas, esboços de estar, de descansar, de esperar, de comer, de dormir, qual sonho (im)puro e diluído, como aqueles que temos de vez em quando e que nos deixam a sensação dúbia de termos estado ali, com toda a nitidez do mundo real mas, irremediavelmente, num sonho.



Carlos Valente
Maio 2009



Esta mostra poderá ser vista até ao próximo dia 30 de Junho.




Museu de Arte Contemporânea do Funchal