MACGaleria, o que é?

Em MACGaleria, são publicados periodicamente dados informativos que procuram servir como complemento da actividade expositiva exercida por esta instituição. Navegando pelos diversos posts, o utilizador poderá encontrar informação relativa aos últimos onze anos de acção museológica desenvolvida pelo MAC junto da comunidade.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Arte Partilhada Millennium bcp - ( 17 de Novembro de 2009 a 17 de Janeiro de 2010)

O Museu de Arte Contemporânea do Funchal, apresenta ao público uma mostra de pintura portuguesa itenerante, da colecção Millennium bcp, a partir do próximo dia 17 de Novembro que contará com a presença de obras de: António Silva Porto, José Malhoa, José Júlio De Sousa Pinto, Columbano Bordalo Pinheiro, Eduardo Viana, Amadeo De Souza-Cardoso, Carlos Botelho, Dordio Gomes, José De Almada Negreiros, Maria Helena Vieira Da Silva, Joaquim Rodrigo, João Hogan, António Dacosta, Júlio Resende, Nadir Afonso, Mário Cesariny, António Charrua, Menez, Manuel Cargaleiro, Júlio Pomar, Carlos Calvet, Jorge Pinheiro, Nikias Skapinakis, Eduardo Luiz, António Costa Pinheiro, João Vieira, José Escada, René Bertholo, Paula Rego, Ângelo De Sousa, Manuel Amado, Eduardo Nery, Álvaro Lapa, José De Guimarães, Jorge Martins, Luís Noronha Da Costa, Eduardo Batarda,Armanda Passos,Pedro Chorão,António Palolo,Graça Morais. Esta mostra poderá ser visitada até ao dia 17 de Janeiro do próximo ano.


O Grupo Millennium bcp dispõe de um património cultural considerável e diversificado, com especial incidência na pintura.Decidimos materializar esta ideia de, começando pela pintura, partilhar com outros públicos uma parte do nosso acervo, difundindo a arte em espaços variados e proporcionando assim a sua fruição por pessoas que de outro modo não teriam oportunidade de a ele aceder. Para tanto, iremos fazer circular pelos principais centros populacionais do País uma selecção de cerca de quatro dezenas de quadros de autores portugueses da nossa colecção e cuja produção se situa entre os anos 1884 e 1992.
Esta escolha contempla, para o período em referência, alguns dos maiores nomes da pintura portuguesa e cobre em especial os designados movimentos naturalista, modernista e de arte contemporânea, embora com predomínio deste último. A responsabilidade do critério básico da selecção – uma obra por artista de acordo com as possibilidades da colecção e a relevância histórica e crítica dos autores possíveis cujo lugar de entrada é o da data de nascimento – é do Banco e em primeira e última análise minha que, nesta matéria, sou sobretudo um amador interessado.

Carlos Santos Ferreira
Presidente do Conselho de Administração Executivo
do Millennium bcp

UM SÉCULO DE PINTURA PORTUGUESA

A selecção extensiva que aqui se apresenta recordará a lógica das exposições colectivas que já não se fazem mas foram tão importantes no desenrolar da modernidade, tendo ainda outra vantagem: pôr à disposição dos públicos a grande aventura da pintura europeia desde meados dos século XIX, quando a estética naturalista exigiu aos artistas representar, não a beleza idealizada do classicismo, mas as gentes e as paisagens de um lugar e de um tempo concretos. Postos perante a natureza, os pintores viram-se confrontados com a variabilidade da realidade e a impossibilidade de a registarem mimeticamente, tendo em conta a diversidade dos momentos cromáticos e lumínicos, dos pontos de vista e dos enquadramentos. A grande aventura será então questionar ou destruir, nas telas, essa impossível realidade, contrapondo-lhe a estilização ou a depuração. Esse foi um caminho de múltiplos sentidos que conduziu à abstracção e, depois, a
uma infinidade de modos de fazer jogar a pintura não tanto com a realidade mas com as nossas ideias sobre ela que arrastam sonhos, pesadelos, plenas invenções oníricas ou a indagação sobre as estruturas geométricas de um mundo excessivamente vacilante. Há, nos pintores do século XX, qualquer que seja o movimento em que participam, o desejo que a pintura fale sobretudo de pintura e não tanto das coisas que a concretizam, à semelhança dos músicos que nos comunicam emoções e sentimentos, através dos recursos da própria música, tons, ritmos, interrupções,
retomas, rimas, altos, baixos.

Raquel Henriques da Silva
Professora de História de Arte



segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Preâmbulo - ( 10 de Julho a 30 de Setembro de 2009)

O Museu de Arte Contemporânea do Funchal, inaugurou no passado dia 10 de Julho, a exposição Preâmbulo, evocativa da fundação da Academia de Música e Belas Artes da Madeira e de Homenagem aos seus antigos professores Mestres Pintor Arnaldo Louro de Almeida e Escultor Pedro Anjos Teixeira. Esta mostra, da qual será realizado um catálogo, patrocinado pela Câmara Municipal do Funchal, no qual se reunirá textos de Irene Lucília, Pintores Alice de Sousa e Jorge Marques da Silva e da própria comissão, biografias dos participantes, e reprodução das obras dos 40 intervenientes, alguns antigos discípulos, professores e colaboradores dos Mestres Pintor Louro de Almeida e do Escultor Anjos Teixeira (Ara Gouveia, Adriana Telmo, Alice de Sousa, Ana Manuela Oliveira, Ana Sousa, António Marques da Silva, António José Pinto, António Rodrigues, Benvinda Figueira da Silva, Dalila Camacho, Daniela Silva, Dina Pimenta, Élia Pimenta, Elisabete Nunes, Fernanda Pereira, Fernão Saúl do Carmo, Gilda Serrão, Irene Lucília, Isabel Natal, Jorge Marques da Silva, José Manuel Mota Pimenta, Luíza Clode, Luz Correia, Fátima Castanheta, Francisco Simões, Ilídia Gonçalves, Leonor Clode, Manuel Castannheta, Manuela Aranha, Maria Helena Leça Ferraz, Margarida Lemos Gomes, Ricardo Pinto, Ricardo Veloza, Sara Portugal, Fernando Lemos Gomes, Tomás Silva, Clementino Camacho, Teresa Brazão Câmara).
Poderão igualmente ser vistos trabalhos do Escultor Anjos Teixeira, que deixou importante obra de escultura pública na ilha da Madeira, e do Pintor Arnaldo Louro de Almeida, referenciando-se deste autor a obra Nazaré, quadro vencedor do Prémio José Malhoa.
Preâmbulo, reune trabalhos de escultura, pintura, desenho, gravura, fotografia e testemunhos biobliográficos, documentando, deste modo, toda a actividade e importância que teve a fundação desta instituição de ensino artístico para a cidade do Funchal.
A comissão organizadora afirma em texto introdutório: “ Não vejamos nesta mostra nem um rebate de saudosismo, nem uma pretensão de afirmar múltiplas personalidades, mas somente uma necessidade de referênciar factos com inserção histórica na vida de algumas gerações de madeirenses”.
Também Irene Lucília, evocando os Mestres Louro de Almeida e Anjos Teixeira registou: “ A estes professores se deve o que talvez justifique, pelo que, em cada um em particular, significou a passagem por esta Escola, o contacto com as disciplinas artísticas e o conhecimento que através delas terá determinado eventuais comportamentos em suas vidas”.
Esta exposição que se assume como testemunho, documento e lembrança de um tempo, pioneiro e profícuo do ensino das Artes Plásticas na Madeira, procura também, nunca é de mais recordar às novas gerações, a personalidade de dois dos seus antigos professores, Pintor Louro de Almeida e Escultor Anjos Teixeira, ambos tendo deixado pela sua competência pedagógica, profundidade da sua cultura, obra e carácter, marcas visíveis nos seus antigos discípulos e colegas e igualmente na vida cultural funchalense nos anos 60/70 do século passado.
Esta exposição poderá ser vista até ao dia 30 de Setembro, no horário habitual do Museu, podendo serem marcadas visitas guiadas através do Serviço Educativo do MAC.


Junho de 2009



José de Sainz-Trueva



Museu de Arte Contemporânea do Funchal

domingo, 23 de agosto de 2009

Andar Modelo - Filipa Venâncio (15 de Maio a 30 de Junho de 2009)

Filipa Venâncio manifesta, no seu largo currículo
artístico, uma insistente exploração da pintura cujo tema são os espaços interiores e os objectos que lá podem ser encontrados. Trata-se de uma pintura que não representa o ser humano, nem o corpo, nem a figura, mas que os refere constantemente através dos interiores solitários, porém vivenciados, de modo tácito, por pessoas. Quando a artista aproxima o olhar aos pequenos objectos do quotidiano, fá-lo de modo a potenciar referências históricas, pessoais e sociais, que remetem para o universo pop da dignificação do aparentemente banal, enquanto produto de massas. E potencia também essas referências através da recuperação simbólica de objectos e atitudes esquecidas, mas carregados de intensa significação poética.
Mais uma vez, operando uma síntese, Filipa usa de espaços e de objectos, e desconstrói a identidade da casa, nesta instalação «com pintura e tudo» (citando aqui a exposição de Isabel Santa Clara, na casa-Museu Frederico de Freitas, nos anos 90). A artista propõe um percurso pelo espaço que se (in)alterou com o tempo, e que de fortaleza passou a ser museu. Agora nem casa, nem apartamento, nem fortaleza, mas ainda museu ­– no que de museu há na atitude de arrumação dos objectos expostos, de modo a criar um ambiente semiótico conciso.
O diálogo entre a pintura, enquanto objecto pendurável que faz parte do espaço interior que se habita, e os móveis que se usam, é um diálogo circular, num confronto em espiral entre a representação e a realidade matérica (da pintura e dos objectos). Povoa-se o vazio das paredes e do chão com uma vibração cromática e volumétrica que pontua o espaço de um modo, dir-se-á, supenso. Seguindo caminhos já apontados em outras mostras, a artista joga aqui com a deslocação, com a interferência e com o acumular de memórias descontextualizadas q.b., criando uma estranheza formada de vários tons e nuances diversificadas, ao longo das «assoalhadas» vestidas de casa.
Neste contexto, a participação de Carlos Valente (eu) introduz o movimento e o tempo da imagem vídeo, a imagem do outro (que sou eu), a imagem de quem observa e prolonga o seu ponto de vista crítico – verbalmente concretizado nestas linhas – acerca da exposição, na exposição mesma. O vídeo acontece numa peça de mobiliário, um televisor de ecrã plano. Trata-se também de um equipamento que pertençe a essa mesma familia de objectos concebidos para ocupar espaços caseiros, e não só.
O design de interiores está «quase» presente graças à construção de pequenos apontamentos de ambiente. A colaboração da loja Intemporâneo, enquanto fornecedor activo no projecto, com a artista enquanto cliente real, permitiu a obtenção de ambientes que não recriam uma loja de mobílias e nem sequer uma casa, mas que se situam no limbo. Permanecem a meio caminho entre o espaço de exposição comercial de bens móveis, de mesas, cadeiras, tapetes e candeeiros e o espaço eternamente provisório que é o lar.
O choque é subtil, no confronto entre o novo e a tradição. Este «medir de forças» entre peças de mobiliário reflecte-se na pintura que, ironicamente, coloca em jogo diferentes «choques-subtis» de relação. O diálogo entre peças de diferentes procedências estilísticas e temporais, quer presentes quer representadas, faz-se com algum humor e com forte gosto retro, bem patente nas escolhas da artista e que, certamente, encontramos ao longo do seu percurso artístico.
Nas pinturas ninguém habita os espaços, a não ser mediante figuras contidas em objectos-imagem, como num televisor. Cada quadro lembra um estudo, uma hipótese de arrumação, ou talvez uma presença de outrora; uma ocupação perdida no imaginário de um tempo impossível de mapear, porque fictício. O deambular pelo(s) andar(es) sugere um modelo de habitação expandido, formado por habitáculos ora contíguos, ora interrompidos por zonas de ligação austeras e despojadas de intervenção.
Filipa Venâncio apropria-se da outrora-fortaleza-agora-museu e propõe-nos um olhar filtrado pelo enmascaramento dos objectos: criando funções inacabadas, esboços de estar, de descansar, de esperar, de comer, de dormir, qual sonho (im)puro e diluído, como aqueles que temos de vez em quando e que nos deixam a sensação dúbia de termos estado ali, com toda a nitidez do mundo real mas, irremediavelmente, num sonho.



Carlos Valente
Maio 2009



Esta mostra poderá ser vista até ao próximo dia 30 de Junho.




Museu de Arte Contemporânea do Funchal

sábado, 22 de agosto de 2009

Do oVo ao Voo - Ricardo Barbeito

“memória ao contrário”

“Registar / nessa memória / ao contrário /
de trás / para diante / as palavras /
e depois / soletrá-las / do fim para o princípio”

Carlos de Oliveira, Trabalho Poético
# ao contrário

Sem fim nem princípio, observe-se uma linha de forma elíptica, desenhada a carvão: é uma figura que parece suspender a linearidade e a gravidade da caligrafia (e da leitura) e representa (desenhando-o) um 0VO.
Levante-se o olhar ao encontro de duas linhas oblíquas, unidas por um ponto convergente: contraponto quase vertical da anterior figura circular, esta letra parece unir os caracteres da palavra de que é centro, OVO.
Desalinhe-se a ordem da leitura para que se possa ver “ao contrário / de trás / para diante / a[ ] palavra[ ]”. Espanto ou espelho, é uma e a mesma palavra, som a som, como eco, um anagrama: ovo/ovo. Trata-se, portanto, de uma palavra – manuscrita e desenhada –, inscrita para ser lida e vista.
Em dois tempos, aqui parece estar precisamente o coração da metáfora que este corpo orgânico (o ovo) contém. Por um lado, a representação manuscrita que lhe dá forma legível é, ela própria, circular, pois permite uma leitura inversa à da ordem linear da escrita. Por outro, a duplicação do nome (virtualmente ao infinito) – ovoovo – permite revelar, inscrita naquela continuidade sonora, o princípio da história que a exposição “Do ovo ao voo” conta. Experimental e ludicamente, o jogo verbal observado parece aclarar, então, o jogo visual de que decorre o conceito que Ricardo Barbeito entreviu na palavra e na figura do ovo.

# memória

Cubos como casas, casas como cubos. Tabuleiros de ovos sem ovos. Estruturas modulares e tridimensionais, de madeira e de metal, em escada. Em escala (quase) humana.
Por contraste com a unidade orgânica do ovo, que contém um embrião animal (invisível aos nossos olhos), os variados maquinismos de produção por que o ovo transita são construções engendradas (diga-se assim) artificialmente.
Nesta instalação – que pode eventualmente ser interpretada como uma (hipótese de uma) narrativa do movimento e da invisibilidade – os mecanismos, vazios, parecem aludir a uma presença dos ovos a que (não) nos é permitido aceder. Daquele passado permanecem sons e luzes, audíveis e visíveis, sombras ou halos como memória da passagem (alada) das criaturas geradas ab ovo.

# “do fim para o princípio”

Assim como no centro da palavra (reiterada) que gera a ideia desta exposição contém em si mesmo uma promessa de movimento – ovoovo –, também a presente instalação parece reenviar, sala a sala, passo a passo, para o processo (contínuo) de criação (natural e humana).
De facto, por um lado, a articulação (desencontrada no espaço) das várias peças instaladas permite pôr a nu o processo de criação avícola. Por outro, a dialogar com estas estruturas mecânicas, são expostos desenhos (a grafite) e exercícios gráficos que recorrem ao jogo visual com a palavra ovo.
Do nascimento e da eclosão permanecem rastos (cascas) que contêm a memória do embrião e vestígios do voo. Ou, melhor, em caminho inverso – “do fim para o princípio” – do voo, iniciado, invisível, ao ovo, permanecem apenas fragmentos, única realidade material deste processo.
Como se fosse impossível acompanhá-lo em tempo real ou interromper o devir criativo, a mão (a arte) representa o que na natureza muda (voa). Tal como o traço desenhado é único e irrepetível, assim cada recorte em cada casca de ovo é aleatório e diferente de qualquer outro. Talvez aqui se encontrem natureza e arte, no que têm de singular e original.


Diana Pimentel

Esta mostra poderá ser vista até ao próximo dia 18 de Abril.
Museu de Arte Contemporânea do Funchal

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Feitorias - (7 de Novembro de 2008 a 10 de Janeiro de 2009)

Cerca de 45 obras de arte de onze artistas plásticos portugueses poderão ser vistas de 7 de Novembro próximo a 10 de Janeiro de 2009 no Museu de Arte Contemporânea do Funchal – Fortaleza de São Tiago. Rui Chafes, Adriana Molder, Daniel Malhão, José Loureiro, Rui Vasconcelos, Daniel Blaufuks, João Cruz Rosa, Ana Jotta, Paulo Quintas, João Maria Gusmão & Pedro Paiva, trazem ao Funchal um conjunto de trabalhos em filme, escultura, fotografia, desenho e pintura, alguns feitos intencionalmente para os espaços da Fortaleza de São Tiago, enquanto outros, pertencentes a diversas entidades (Fundação Luso Americana para o Desenvolvimento, colecção PLMJ, Museu de Serralves e colecções particulares) foram já apresentados noutras localidades de Portugal e estrangeiro.
As galerias Vera Cortez – Agência de Arte, Cristina Guerra - Contemporary Art, Galeria Graça Brandão, Lisboa 20 Arte Contemporânea, representam alguns dos artistas presentes em Feitorias.

Alguns destes nomes integram a colecção do Museu de Arte Contemporânea do Funchal, como Rui Chafes, José Loureiro, João Cruz Rosa e Daniel Blaufuks. Esta exposição, denominada Feitorias, que se encontra em preparação à mais de um ano, e que pode ser considerada uma das mais importantes exposições de artes plásticas contemporâneas realizadas no Funchal nos últimos tempos, será comissariada pelo poeta e curador independente, Dr. João Miguel Fernandes Jorge, autor do texto do catálogo, que terá design de Vera Velez, fotografias, entre outros, de Laura Castro Caldas, Paulo Cintra e Daniel Malhão, numa tiragem limitada a 300 exemplares. Este catálogo regista também a lista de obras expostas e as biografias referentes a todos os participantes.
De entre os artistas presentes, alguns gozam já de enorme projecção internacional, como a dupla João Maria Gusmão & Pedro Paiva, que recentemente participou no programa Allgarve, tendo-lhes também sido dado grande destaque aquando da sua exposição Abissologia na Galeria do Torreão Norte da Cordoaria Nacional em Lisboa, ou o escultor Rui Chafes detentor de um prestigiado curriculum, convidado pelo Governo Português e pela Câmara de Champigny- sur-Marne para ser o autor de uma escultura, intitulada “ Venho de ti / Je Viens de Toi”, evocativa da Emigração Portuguesa em França, e que se encontra instalada perto de Paris, no Parc Departemental de Plateau. De Rui Chafes, representado no Museo Nacional de Arte Reina Sofia, de Madrid, foi publicado pela editora italiana Charta a sua primeira monografia internacional, com uma entrevista ao autor e um ensaio da crítica alemã Doris von Drathen.

De Adriana Molder, que nos apresenta três trabalhos nesta mostra, refira-se a sua recente participação na colectiva Bielefelder Kunstverein - Museum Waldhof, Alemanha, expondo actualmente em Madrid, na galeria Moriarty (Cavaleira), exposição que nos revela retratos de grandes dimensões, a tinta da China sobre papel, numa referência ao uso do rosto como imagem iconográfica pela sociedade contemporânea.
Daniel Blaufuks, Prémio BESphoto 2007, igualmente detentor de um extenso e importante curriculum de exposições em Portugal e no estrangeiro, poderão ser vistos vários trabalhos recentes das séries o Arquivista e Álbum.
De José Loureiro, que em 2007, na Cinemateca Nacional de Lisboa – Museu do Cinema, inaugurou uma exposição de desenhos originais em justaposição ao ciclo integral da obra de Carl Th. Dreyer, de que resultou um belíssimo álbum com textos de João Miguel Fernandes Jorge, Rui Vasconcelos, João Cruz Rosa, divulgados pela primeira vez no Funchal pela galeria Porta33, ainda Daniel Malhão e Paulo Quintas, estão presente 20 trabalho em óleo sobre madeira e tela, fotografia, aguarela, desenho e técnica mista.

Pertencentes a várias gerações, embora próximas, de alguns destes artistas foram organizadas importantes mostras como a que o Museu de Serralves dedicou a Ana Jotta, em 2005, intitulada Rua Ana Jotta, artista que actualmente expõe em Lisboa simultaneamente em duas galerias, no Espaço Chiado 8 (S/He is Her/e) e Galeria Lisboa 20 (21 Artistes Pour Demain).
Registe-se que, trazer ao MAC uma exposição desta envergadura, com altíssimos encargos referentes ao seguro das obras, transporte, catálogo, etc, só foi possível com o apoio orçamental da DRAC e igualmente de outras entidades como o Funchal 500 Anos, Farmácia da Nazaré, Restaurante do Forte e FeirExpo. Lamentando-se, contudo, a escassa participação, ao abrigo da Lei do Mecenato, de outras entidades, que, ao menos, como dever cívico deveriam participar mais activamente na vida cultural da cidade, possibilitando a criação de um permanente calendário de eventos e projectos de indiscutível qualidade.
Museu de Arte Contemporânea do Funchal